Déficit de armazenagem no agronegócio preocupa especialistas e investidores
Com safra recorde, os silos viram peças-chave para o produtor rural garantir financiamentos mais baratos e parcerias estratégicas no mercado.
O cenário de armazenamento da produção agrícola no Brasil tem preocupado investidores e especialistas do setor. Segundo a Pesquisa de Estoques do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em 2025, a capacidade estática do país é de 231,1 milhões de toneladas. Em paralelo, a projeção para a safra deste ano é de 342,7 milhões de toneladas, também de acordo com o IBGE.
Para Fernando Caprioli, Diretor comercial da AGI Brasil, uma das principais fornecedoras de soluções em armazenamento e movimentação de grãos no país, “o descompasso é muito grande. O volume de capacidade é muito inferior ao do total colhido e abaixo do parâmetro de equilíbrio utilizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com base em recomendações da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO)”.
Segundo o executivo, é preciso investir no aumento da capacidade de armazenagem para assegurar que o Brasil continue sendo referência pela qualidade da produção agrícola. “O silo se tornou um ativo financeiro. O grão é uma garantia bancária e perdas de produção por falta de estrutura podem acarretar grandes prejuízos econômicos para o agronegócio, em especial ao produtor rural que tem que comercializar rapidamente sua colheita. Por isso, é necessário suprir a demanda como um todo e ter rigor técnico na armazenagem”, diz.
Bancarização do agronegócio
Na prática, a chamada "bancarização" do agronegócio transformou o silo em um dos principais aliados do produtor na hora de negociar juros e prazos. Instituições financeiras, Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e emissores de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) estão trocando as garantias tradicionais por uma avaliação técnica rigorosa da infraestrutura de pós-colheita. Se o projeto é certificado e possui monitoramento de qualidade, o risco operacional cai, facilitando o acesso ao mercado de capitais.
De acordo com Caprioli, esse novo cenário impacta diretamente o custo da operação e a viabilidade do negócio no longo prazo. “Quando o banco enxerga que o controle técnico dentro da fazenda é consistente e auditável, a confiança no ativo aumenta. Isso se traduz em menos burocracia e em condições de crédito significativamente mais favoráveis, transformando o rigor técnico em um lastro real para o financiamento”, explica.
Para o executivo, investir em tecnologia de ponta para o armazenamento é uma das formas mais estratégicas de garantir fôlego para crescer. “Ao assegurar a integridade do grão, o produtor não apenas protege sua safra, mas fortalece sua posição perante financiadores e seguradoras. A armazenagem, portanto, deixou de ser apenas um custo logístico para se tornar um componente central da gestão financeira do produtor”, conclui.
Sobre a AGI Brasil
A AGI Brasil é uma das principais fornecedoras de soluções em armazenamento e movimentação de grãos no país. Com sede em Cândido Mota (SP), a companhia faz parte da AGI — Ag Growth International, referência global em equipamentos agrícolas e de infraestrutura, com presença em mais de 100 países. Seu portfólio inclui silos metálicos, sistemas de secagem, aeração e transporte de grãos, além de estruturas e soluções completas para pós-colheita. A AGI Brasil alia experiência local à expertise internacional, oferecendo tecnologia, confiabilidade e eficiência para apoiar a competitividade do agronegócio.
Fonte: AGI Brasil / CDI Comunicação