Fiagro completa cinco anos com contas pulverizadas e patrimônio concentrado

Levantamento da Oliveira Trust com dados da CVM mostra que investidores qualificados e profissionais concentram 71,1% dos R$ 65,8 bilhões do segmento.

25/09/2026 - 13:32
Fiagro completa cinco anos com contas pulverizadas e patrimônio concentrado
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São Paulo, setembro de 2026 – Um mesmo veículo passou a abrigar duas dinâmicas distintas no mercado de capitais. Ao completar cinco anos, o Fiagro reúne uma base pulverizada, formada por mais de 1,2 milhão de contas de cotistas, e uma frente institucional que concentra a maior parte dos recursos. Levantamento realizado pela Oliveira Trust, líder no mercado de serviços fiduciários, a partir de dados públicos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mostra que o segmento alcançou R$ 65,8 bilhões em patrimônio líquido em julho de 2026.

As classes destinadas ao público geral concentravam 92,4% das contas, mas respondiam por 28,9% do patrimônio identificado. Na outra ponta, os veículos voltados a investidores qualificados e profissionais reuniam apenas 7,6% das contas e 71,1% dos recursos. Os números se referem a contas de cotistas, não a investidores únicos.

O retrato indica que a trajetória do Fiagro não pode ser explicada apenas pela entrada das pessoas físicas no financiamento do agronegócio. Em paralelo à expansão dos fundos negociados em bolsa, o mercado desenvolveu estruturas voltadas a investidores de maior porte, com operações mais específicas e diferentes combinações de ativos, garantias, originadores e fluxos financeiros.

"Os primeiros anos do Fiagro mostraram que existe demanda para aproximar o mercado de capitais do agronegócio. Agora, os números revelam um segmento mais diverso do que a imagem construída em torno dos fundos de varejo. A próxima etapa dependerá da capacidade de sustentar estruturas com perfis e necessidades muito diferentes, sem abrir mão de governança, transparência e controle", afirma José Alexandre Freitas, CEO da Oliveira Trust.

A diferença também aparece nos ambientes de negociação. As classes negociadas em bolsa concentram 69,7% das contas, mas representam 33% do patrimônio. Já os veículos negociados em balcão organizado ou não organizado respondem, juntos, por 67% dos recursos e 30,3% das contas. O contraste reforça a coexistência de uma frente mais pulverizada e de outra formada majoritariamente por operações institucionais.

Entre as classes destinadas ao público geral, 62,4% dos recursos investidos estavam alocados em títulos de securitização, categoria que inclui os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). Outros 21,3% estavam aplicados em cotas de fundos. Imóveis rurais representavam 7,6% do total, enquanto títulos de crédito do agronegócio, como as Cédulas de Produto Rural (CPRs), correspondiam a 2,8%.

A presença da Oliveira Trust no segmento está concentrada justamente na frente institucional identificada pelo estudo. Na base analisada, a companhia aparece como administradora de 48 registros ou classes de Fiagro, que somam aproximadamente R$ 6 bilhões em patrimônio líquido. O montante equivale a 9,1% do patrimônio apurado no levantamento. Desse total, 47 registros são destinados a investidores profissionais.

Como administradora fiduciária, a Oliveira Trust não define a estratégia de investimento nem seleciona os ativos das carteiras. Sua atuação está na infraestrutura necessária para o funcionamento dos fundos, incluindo controles, acompanhamento das obrigações, qualidade das informações e coordenação dos diferentes agentes envolvidos nas estruturas.

"O crescimento do patrimônio é apenas uma parte dessa história. Cada nova estrutura envolve prestadores de serviço, registros, controles, movimentações financeiras e obrigações regulatórias que precisam funcionar de maneira integrada. Quanto mais o Fiagro se diversifica, maior é a importância de uma infraestrutura capaz de acompanhar essa complexidade", diz Freitas.

A expansão continua em 2026. Os Fiagros registraram captação líquida de R$ 755 milhões em julho e acumularam entradas de R$ 6,2 bilhões nos sete primeiros meses do ano, segundo a Anbima. O resultado ocorreu em um mês no qual a indústria brasileira de fundos apresentou resgate líquido de R$ 25,3 bilhões. Fiagros, FIPs e ETFs foram as únicas categorias que mantiveram fluxo positivo no período.

Entre as medidas defendidas pela associação estão o aumento da base de investidores em ativos ligados ao agronegócio, a atração de capital estrangeiro, o aprimoramento do registro das garantias mobiliárias e o fortalecimento da governança, da transparência e dos processos internos das empresas e dos produtores financiados.

Para a Oliveira Trust, os dados mostram que a próxima fase do Fiagro será definida não apenas pelo volume captado ou pelo número de contas, mas pela capacidade do mercado de oferecer estruturas adequadas a diferentes perfis de investidores e tomadores de recursos. A consolidação desse modelo dependerá de regras claras, informações comparáveis e uma infraestrutura preparada para dar escala às operações.


Fonte: FSB