Luft projeta até 150 “mini-CDs” para aproximar insumos do produtor e mudar logística no agro

22/08/2026 - 08:33
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“Quanto mais próximo da ponta, menos impacto o mercado tem por conta da concentração. O fato é que o produto mais próximo da ponta vai ter preferência de compra”.

A frase de Luciano Luft, CEO da Luft Logistics, resume uma aposta que a companhia começou a tirar do papel no agronegócio. Inspirada em parte no modelo de distribuição do e-commerce, a empresa inaugurou recentemente em Uruçuí, no Piauí, o primeiro de uma nova geração de centros de distribuição menores e mais próximos do produtor.

A companhia estuda replicar o modelo em mais de 100 ou até 150 unidades pelo País, revelou o executivo ao AgFeed, em entrevista realizada durante o Congresso Andav 2026.

O segundo ponto já está em discussão em Jataí, em Goiás. A empresa ainda testa o formato e estuda transformá-lo, no futuro, em uma rede de franquias. Segundo Luft, RTVs e até produtores já procuraram a companhia interessados em operar os pequenos centros.

A lógica é simples: aproximar o estoque de quem precisa dele em um mercado marcado pela concentração das vendas e por picos de demanda que pressionam toda a cadeia logística.

Hoje, a Luft opera 18 centros de distribuição voltados ao agronegócio. No setor, a operação se dá tanto pela Luft Logístics quanto pela Transcamila, empresa adquirida pelo grupo há mais de uma década e que mantém uma estrutura independente e num modelo asset light.

Somadas, Luft Agro e Transcamila têm cerca de 900 colaboradores e movimentam cerca de 350 mil entregas por ano no setor. O número ainda é ínfimo perto da operação da empresa para o e-commerce, que conta com 1 milhão de entregas – menores, é verdade – por dia. A empresa é hoje uma das operadoras da gigante global de e-commerce Amazon no Brasil.

No agro, Luft estima que entre 30% e 40% dos defensivos, fertilizantes e produtos foliares destinados ao agronegócio passam, em algum momento da cadeia, por alguma operação do grupo, seja na saída das fábricas, seja na armazenagem ou na distribuição.

A aposta nesses CDs menores não substitui os grandes centros de distribuição, mas acrescenta uma nova camada à rede. São unidades mais compactas, localizadas mais perto do produtor, que podem permitir desde retiradas emergenciais até entregas mais rápidas em regiões onde o estoque hoje está a centenas – ou às vezes milhares – de quilômetros de distância, explicou Luciano Luft.

A estratégia de aproximar o estoque do produtor não começou agora. No Mato Grosso, por exemplo, a Luft já estruturou uma rede de centros em Cuiabá, Rondonópolis, Querência, Campo Novo dos Parecis e Sorriso. Segundo estimativas apresentadas pela empresa no ano passado, essa malha coloca 95% do consumo de insumos do Estado em um raio de até 200 quilômetros de uma de suas unidades.

Os novos mini-CDs representam um passo adicional nessa estratégia: sair de uma rede regional de grandes centros para pontos ainda menores e mais próximos da fazenda.

A estratégia retoma uma ideia que o executivo já havia apresentado ao AgFeed no ano passado. Na época, a Luft começava a estudar como adaptar ao agronegócio parte da lógica que utiliza no e-commerce.

São modelos bastante diferentes. No agro, cada entrega envolve volumes maiores, mas Luft acredita que parte do conhecimento acumulado na operação digital pode ajudar a resolver um dos problemas históricos da distribuição de insumos: a concentração das vendas em determinados períodos da safra.

Para isso, a empresa também reforçou sua equipe de operações com executivos vindos de fora do agronegócio. Em março deste ano, a empresa trouxe para o cargo de COO Luiz Bentes, um ex-diretor da Alvarez & Marsal que participou da reestruturação da Americanas.com.

“Trouxemos pessoas de fora do mercado agro para pensar diferente, trazendo para o agro esse conhecimento do nosso negócio do e-commerce”, disse Luciano Luft.

Ao mesmo tempo, a companhia mantém uma estrutura dedicada a pensar novos negócios. Em um escritório separado da operação cotidiana, cerca de 15 profissionais trabalham exclusivamente no desenvolvimento de novas ideias, com apoio de outros funcionários do grupo.

Essa espécie de quebra-cabeças de inovações envolve a relação direta com agtechs ou logtechs. Na conversa anterior com a reportagem, ele mecionou que uma dessas startups, a Agrega, especializada na criação de marketplaces digitais, já atuava com a operação de e-commerce para gigantes do agro.

Um deles é a Amaggi On, plataforma online para comercialização de sementes, fertilizantes e defensivos do grupo Amaggi, lançada há pouco menos de dois anos. Outro projeto semelhante envolve a CCAB, empresa de insumos que foi criada por agricultores brasileiros e hoje é controlada pela cooperativa francesa InVivo.

Desse núcleo surgiram quatro startups que já estão em discussão ou operação dentro do ecossistema da companhia. Uma quinta, voltada à formação de dados, ainda está sendo avaliada.

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