Tecnologia simplifica exame para diagnosticar tuberculose animal

21/09/2026 - 15:30
Tecnologia simplifica exame para diagnosticar tuberculose animal
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Foto: Rubens Neiva

Uma tecnologia desenvolvida pela Embrapa, pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) pode tornar mais simples o diagnóstico da tuberculose animal. O método reduz a necessidade de equipamentos usados atualmente nos laboratórios e pode facilitar a realização do exame em unidades menores e regiões com menos recursos.

Chamado de RRTB, o método utiliza uma pequena haste com algodão, conhecida como swab, para preparar a amostra antes do cultivo da bactéria. Com isso, deixa de ser necessária a utilização de uma centrífuga refrigerada, equipamento que separa diferentes componentes da amostra e que pode não estar disponível em laboratórios de pequeno porte.

A tecnologia foi desenvolvida durante o doutorado do pesquisador Ronaldo Rodrigues da Costa, da Fhemig, na Faculdade de Medicina da UFJF. O trabalho teve orientação da professora Isabel Cristina Gonçalves Leite e do pesquisador Márcio Roberto Silva, da Embrapa Gado de Leite.

Atualmente, um dos métodos usados como referência para confirmar a presença da bactéria da tuberculose depende de equipamentos e estruturas encontradas principalmente em laboratórios maiores. Isso pode dificultar o diagnóstico em regiões afastadas dos grandes centros.

O RRTB busca reduzir essa barreira. A técnica permite preparar a amostra sem a etapa de centrifugação e depois colocá-la em um meio de cultivo usado para favorecer o crescimento da bactéria. Dessa forma, o laboratório consegue identificar se o microrganismo responsável pela doença está presente na amostra.

A diferença também está no tipo de material que pode ser analisado. Além do escarro, usado com frequência na investigação da tuberculose pulmonar, o método pode trabalhar com outros materiais retirados do organismo, como líquidos que se acumulam em determinadas partes do corpo. Isso amplia as situações em que o exame pode ser utilizado.

Testes realizados pelos pesquisadores indicaram que o RRTB apresentou resultados semelhantes aos métodos já utilizados para identificar a tuberculose. Em um primeiro estudo, foram analisadas 77 amostras. Depois, a tecnologia foi avaliada em sete laboratórios de referência de Minas Gerais, com 593 pares de amostras.

Os pesquisadores também testaram o método para identificar a tuberculose em animais. Nesse caso, o foco foi a bactéria Mycobacterium bovis, responsável pela tuberculose bovina. A tecnologia também foi avaliada em amostras de alimentos.

A possibilidade de analisar materiais de pessoas, animais e alimentos amplia o uso da tecnologia. A tuberculose bovina, por exemplo, pode causar perdas nos rebanhos e também representar risco para pessoas que consomem produtos de origem animal contaminados, especialmente aqueles produzidos com leite cru.

A tecnologia recebeu carta-patente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e já foi validada em condições próximas às de um laboratório de rotina. Agora, o Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia da UFJF busca empresas interessadas em produzir e distribuir o método. Antes de chegar ao mercado, porém, a tecnologia ainda precisa passar pela avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Fonte: Embrapa